Conversa com Roberto Schwarz sobre “A lata de lixo da história”

(Em 10 de setembro de 2014, durante o I Seminário Internacional Teatro e Sociedade organizado pela Companhia do Latão, o crítico Roberto Schwarz falou sobre sua peça A Lata de Lixo da História. Após  leitura de cenas, houve uma breve palestra, seguida da conversa aqui reproduzida:) Continue lendo “Conversa com Roberto Schwarz sobre “A lata de lixo da história””

Breve conversa sobre teatro dialético no Latão

Juliana Gobbe – Como se deram as leituras de Brecht pela Companhia do Latão nos anos 90 no Brasil?

SÉRGIO DE CARVALHO – Eu tive interesse em começar meu estudo da obra de Brecht pela teoria. Organizei o primeiro projeto do Latão em torno desse estudo. Elegemos os escritos de “A Compra do Latão” como material de uma pesquisa cênica, mas logo vi que a teoria ali é dramaturgia, assim como a reflexão de ordem estética é reflexão política – e a teoria é prática. Continue lendo “Breve conversa sobre teatro dialético no Latão”

Entre o circo e a melancolia – em memória de Nelson Xavier

O encontro do jovem Nelson Xavier com os artistas do Teatro de Arena, no fim dos anos 1950, promoveu uma não-especialização que foi a marca de sua atitude de ator, a despeito de sua identificação posterior com figuras como Lampião ou Chico Xavier. Mas que outro ator poderia se orgulhar685069-640x430-1 dessa associação a personagens tão emblemáticos das contradições do Brasil? Continue lendo “Entre o circo e a melancolia – em memória de Nelson Xavier”

Questões sobre a atualidade de Brecht (do livro Introdução ao Teatro Dialético)

Nessa homenagem a Roberto Schwarz quero mencionar um episódio de sua atuação crítica que teve relação direta com os caminhos artísticos de meu grupo de trabalho teatral, a Companhia do Latão. O primeiro evento público em que a Companhia do Latão adotou esse nome, assumindo-se, portanto, como um coletivo artístico, ocorreu em de julho de 1997, na abertura de portas do Teatro de Arena de São Paulo, espaço então ocupado por nós com o projeto Pesquisa em Teatro Dialético. Roberto Schwarz participou da noite inaugural como palestrante convidado: após a leitura da peça Santa Joana dos Matadouros, encenada por nós e por ele traduzida, veio debater conosco a atualidade da obra de Bertolt Brecht. Continue lendo “Questões sobre a atualidade de Brecht (do livro Introdução ao Teatro Dialético)”

Notas sobre Raymond Williams e o teatro

Raymond Williams, em mais de uma ocasião, afirmou que seu interesse pelo teatro surgiu na leitura das peças de Ibsen, ocorrida após sua experiência como combatente do exército na Segunda Guerra Mundial. Ibsen foi, no fim do século 19, o dramaturgo mais influente entre os artistas que representaram a crise da sociedade burguesa no campo da família. Para Williams, é o autor que toca o limite da “tragédia liberal”. Continue lendo “Notas sobre Raymond Williams e o teatro”

Latão volta a Recife

(Entrevista com Sérgio de Carvalho, realizada por Márcio Bastos para a revista Continente, novembro de 2016).

A Companhia do Latão esteve na primeira edição do Festival Recife do Teatro Nacional, em 1997. Desde então, o festival passou por muitos altos e baixos, inclusive chegando a ter sua continuidade ameaçada. Gostaria que você comentasse da relação da companhia com o festival e como você avalia a situação dos eventos de artes cênicas no País.

Ter participado das primeiras edições do Festival Recife do Teatro Nacional foi muito importante para a Companhia do Latão. A encenação de “Ensaio para Danton” no Teatro do Parque em 1998 foi uma das versões mais bonitas daquela peça, e mostrou que nosso trabalho, ainda em seu começo, tinha uma linha estética que poderia interessar a muita gente. Continue lendo “Latão volta a Recife”

Obra expande caráter “laboratorial” de Brecht (sobre Fatzer)

É costume se referir ao texto “O Declínio do Egoísta Johann Fatzer” pelo seu nome de sugestão científica, o “Fragmento Fatzer”. De fato existe algo de radicalmente experimental nessa peça, da qual Brecht só publicou um núcleo, constituído de três partes e um coro, em 1931.
Nunca completado, o “Fragmento Fatzer” se tornou uma espécie de referência necessária quando o dramaturgo Heiner Müller apontou ali um sentido modelar, não só para sua obra pessoal, como para toda a dramaturgia política do século 20. Continue lendo “Obra expande caráter “laboratorial” de Brecht (sobre Fatzer)”