“Canção da professora” em duas versões (Letra de Sérgio de Carvalho, música Martin Eikmeier)

Está

o que não estava lá

a palavra faz ver

o olho produz

o novo nome do barro é vaso

o novo nome do buraco é flor

está, o que não estava lá

até ser nomeado

O nome produz.

 

(Há duas gravações dessa canção, uma para o Cd Ópera dos Vivos com Juçara Marçal, que pode ser ouvida no link http://www.companhiadolatao.com.br/site/cd-opera-dos-vivos/. A versão utilizada no filme se encontra no youtube, aqui copiada.)

Carta a Mino Carta

(Em maio de 2016, a revista Carta Capital publica um editorial em resposta a um artigo do colunista Mario Sérgio Conti, da Folha de S.Paulo, sobre a peça O Pão e a Pedra, da Companhia do Latão. Os artigos podem ser lidos no site www.companhiadolatao.com.br. Na ocasião, enviei a seguinte carta ao editor de Carta Capital.)

Prezado Mino Carta,

Diante do editorial intitulado “Uma história mal contada”, crítico ao artigo de Mário Sérgio Conti (a respeito do espetáculo O Pão e a Pedra, da Companhia do Latão), é importante desfazer algumas confusões. Continue lendo “Carta a Mino Carta”

Questões sobre a atualidade de Brecht (do livro Introdução ao Teatro Dialético)

Nessa homenagem a Roberto Schwarz quero mencionar um episódio de sua atuação crítica que teve relação direta com os caminhos artísticos de meu grupo de trabalho teatral, a Companhia do Latão. O primeiro evento público em que a Companhia do Latão adotou esse nome, assumindo-se, portanto, como um coletivo artístico, ocorreu em de julho de 1997, na abertura de portas do Teatro de Arena de São Paulo, espaço então ocupado por nós com o projeto Pesquisa em Teatro Dialético. Roberto Schwarz participou da noite inaugural como palestrante convidado: após a leitura da peça Santa Joana dos Matadouros, encenada por nós e por ele traduzida, veio debater conosco a atualidade da obra de Bertolt Brecht. Continue lendo “Questões sobre a atualidade de Brecht (do livro Introdução ao Teatro Dialético)”

Notas sobre Raymond Williams e o teatro

Raymond Williams, em mais de uma ocasião, afirmou que seu interesse pelo teatro surgiu na leitura das peças de Ibsen, ocorrida após sua experiência como combatente do exército na Segunda Guerra Mundial. Ibsen foi, no fim do século 19, o dramaturgo mais influente entre os artistas que representaram a crise da sociedade burguesa no campo da família. Para Williams, é o autor que toca o limite da “tragédia liberal”. Continue lendo “Notas sobre Raymond Williams e o teatro”

Latão volta a Recife

(Entrevista com Sérgio de Carvalho, realizada por Márcio Bastos para a revista Continente, novembro de 2016).

A Companhia do Latão esteve na primeira edição do Festival Recife do Teatro Nacional, em 1997. Desde então, o festival passou por muitos altos e baixos, inclusive chegando a ter sua continuidade ameaçada. Gostaria que você comentasse da relação da companhia com o festival e como você avalia a situação dos eventos de artes cênicas no País.

Ter participado das primeiras edições do Festival Recife do Teatro Nacional foi muito importante para a Companhia do Latão. A encenação de “Ensaio para Danton” no Teatro do Parque em 1998 foi uma das versões mais bonitas daquela peça, e mostrou que nosso trabalho, ainda em seu começo, tinha uma linha estética que poderia interessar a muita gente. Continue lendo “Latão volta a Recife”

Obra expande caráter “laboratorial” de Brecht (sobre Fatzer)

É costume se referir ao texto “O Declínio do Egoísta Johann Fatzer” pelo seu nome de sugestão científica, o “Fragmento Fatzer”. De fato existe algo de radicalmente experimental nessa peça, da qual Brecht só publicou um núcleo, constituído de três partes e um coro, em 1931.
Nunca completado, o “Fragmento Fatzer” se tornou uma espécie de referência necessária quando o dramaturgo Heiner Müller apontou ali um sentido modelar, não só para sua obra pessoal, como para toda a dramaturgia política do século 20. Continue lendo “Obra expande caráter “laboratorial” de Brecht (sobre Fatzer)”

Noite dos desesperados (They shoot horses, don’t they?)

Dos filmes que me marcaram a adolescência, Noite dos desesperados (1969), de Sidney Pollack, é talvez o de memória mais viva. Assisti na televisão, sozinho, numa madrugada. Numa mais o revi. O filme retrata um concurso de dança de salão em que o último casal a seguir de pé ganha o prêmio, até o limite das forças e da sanidade. Todos bailam como mortos vivos, numa corrida diante de uma plateia que parece mecânica, ao som de músicas ironicamente alegres. São personagens arrebentadas, no tempo da depressão norte-americana. Continue lendo “Noite dos desesperados (They shoot horses, don’t they?)”

Aprendizado da atuação no processo P

Hoje, quando tem início a temporada de O Patrão Cordial em São Paulo, registro alguns pontos importantes para o trabalho dos atores na Companhia do Latão.

“A máscara é o que dá sentido e tira”, ouvi a frase fulminante numa entrevista dada pelo mestre de reisado Manuel Torrado, que vive no interior do Ceará. Um ator interessado em dialética (e no teatro como interesse pela vida) pode se aproximar dessa compreensão se praticar algumas negações que visam a superações. Continue lendo “Aprendizado da atuação no processo P”